Projeto

Muitos anos atrás tive a vontade de escrever um livro sobre Bast e os Deuses Kemeticos e finalmente voltei a escrever sobre o livro sobre Ela! Nekhtet pra mim!

Eu havia começado a escrever sobre ele a alguns meses atrás e por vários motivos tive que parar, mas voltei com tudo. Pretendo apresentar uma visão histórica sobre Bast, o suficiente para que o leitor possa saber com quem ele está  lidando. Além disso pretendo ensinar o leitor a como cultuar Bast e dar chave para que ele possa aprofundar esse culto! E umas outras coisinhas hehe, deixo essa de surpresa quando tudo estiver pronto.

Nekhtet!

Viver com Bast

Esses dias refletindo sobre meus votos de Shemsu, lembrei de todo meu relacionamento com Ela e quando descobri que Bast era minha mãe divina no meu RPD aquilo foi muito emocionante pra mim e transformou a minha vida e meu relacionamento com ela.

Altar para Bast (quem souber o dono, me avise!)

Eu não sou mais um simples devoto, eu sou um Shemsu de Kemet e jurei servir meus pais. De tempos em tempos fico refletindo sobre os votos e como eu posso melhorar meu relacionamento com Ela e em tudo que ela me ensinou.

O título desse texto é “Viver com Bast”, mas deveria ser “Viver Bast”. Porque você não vive com, você apenas vive. Ela é o que move o mundo, ela não é a realeza, como Aset ou Rá. Diferente do pai, Bast não se importa com o reinado, ela simplesmente quer ser, existir. E eu chamo isso de essência, de instinto.

Nutrir um relacionamento com Ela é ter amor por você mesmo e tudo que é delicado na natureza. Bast presta atenção aos detalhes, as nossas emoções puras e não egoístas. Fetch. Ela é toda a verdadeira felicidade e a inspiração em um bom dia. Como filha de Rá, ela também é rainha, poderosa e guerreira. Nada escapa de seu olhar e de suas garras. Viver com ela é aflorar suas emoções, é chorar e em cada manifestação de afeto de qualquer tipo, Bast está ali. É sentir.

Apesar dela ser limitada como “Deusa dos gatos” e representada de forma doce e feliz, as partes mais difíceis de seguir ela é quando você está perdido e a única resposta é o silêncio. “E o que você vai fazer agora?”. Mas ela responde assim porque ela sempre está próxima e mesmo assim, você precisa aprender a lidar com seus problemas sozinho e tomar suas próprias decisões.

Em sua forma local como Wenut, a Deusa Lebre, ela é todo o poder criador e gerador da terra, da fertilidade e gestação de qualquer ser. Ela é rápida, feroz, amorosa, envolvente e primordial.

Viver com Bast é despertar seu lado primordial. É ouvir seus instintos.

Eu não lembro quem fez, mas acho que foi feito pelo Noumenon ^_^

Ela te deixa sozinho às vezes, sofrendo, mas quando você precisa, ela te envolve e toda a dor passa e você é mais uma vez, curado por ela e você pode tudo quando ela te toca.

Viver com ela é entender a sutileza que envolve o universo, dentro e fora. É sentir o que a maioria ignora. É se envolver com o Todo, porque a Deusa é imanente e todo lugar é também o seu.

Pode ser difícil para alguns ver Bast como ameaçadora, mas ela pode ser se quiser. Ou melhor, ela É quando precisa ser. Defender seu território, destruir o Incriado, defender seus filhos… Ela faz isso e muito mais. Bast era chamada de “Senhora da Carnificina” e “Senhora do Medo” e por isso é sempre bom lembrar que com ela não se brinca e não se desrespeita, mais do que se pode. Ela ensina que devemos defender o que nos é precioso, o que amamos e nos adaptar as situações quando necessário.

Tudo o que ela é se manifesta no devoto que se entrega nos seus braços envolvente (principalmente pra mim). As vezes de forma direta e poderosa, às vezes gradual e sutil.

Wenut, a deusa lebre. (Feito por Rev. A’aqyt)

Enquanto Aset é a personificação do trono Kemetico, e traz o nosso lado de senhores de si, a deusa dos gatos faz isso de uma forma diferente, mais felino… Bast desperta a essência de cada ser. Ela apenas é, Bast apenas quer ser, viver, sentir, olhar e cheirar. Ela é a conexão com a teia da vida e toda a perfeição que o universo é.

Ela é a senhora do mel, do âmbar, do amor, da felicidade e instinto.

Apesar de ter falado sobre vários pontos do que Ela é e do que ela desperta na vida do devoto, o que eu disse ainda é pouco. Ela é uma Deusa muito complexa e vai revelando um pouco mais de si conforme você se envolve cada vez mais nos braços dela.

Ipe ❤🌞

Hino para Bast-Rá

Esse é um hino para o sincretismo de Bast-Rá, a poderosa defensora. Não se sabe se era para Bast ou Rá ou o aspecto dos dois. Mas ela ou ele é nesse hino, retratado como um gato. Ele foi retirado do Prayerbook da Egiptóloga Tamara L. Siuda e todos os créditos para Ela.

Hino a Bast-Ra como o Grande Gato:
Honrai o Grande Gato, beijando o chão perante Rá, o Grande Deus!
Ó pacífico que se volta para a paz,
Você me mostrou as trevas por aquilo que eu tenho feito.
Faça a luz para mim para que eu possa ver Sua beleza.
Volte-se para mim, Amante da Paz que conhece o perdão.
Que você me dê vida, prosperidade e saúde.

Crédito da tradução: Damon Minuzzo

Palavras de Bast

Eu reivindico a todos que me servem. Aqueles que cuidam de meus filhotes, que os protegem. Abençoados sejam.

Minhas garras estão contra aqueles que querem mal os que a mim pertencem, os que eu fortaleço. Você cai e eles permanecem.

Pois a verdade não pode ser oculta ou desfeita: todos vocês pertencem a mim, todos vocês brincam em meu coração, pois meu amor alegre anda com vós.

Saiba pois, que em momentos de sombra e dificuldade, eu estou lá. Não para alegrar, mas para ajudar a entender a situação. Porque eu sou o entendimento do ser, da essência que revela a verdade.

Ouçam essas palavras, amados filhos e entendam o ser divino que vocês são. Olhem para as estrelas, para Nut e Nun, os primórdios dos tempos e veja que viemos de lá e ao útero dela voltaremos.

Sábias palavras, sábias hekas foram pronunciadas e ditas. Aprenda com elas e viva e então viva. Abençoado seja.

Semana 1: Uma introdução a divindade: Bast

Semana passada eu comecei as 30 semanas de Yinepu e nessa começo a de Bast (coincidentemente comecei por Yinepu que é a frente da minha linhagem, depois Bast! rsrs detalhes)

Quando falamos de Bast, pensamos em uma divindade relacionada aos gatos e a alegria, de forma imediata. Mas o que as pessoas não sabem, é que Ela é muito mais que isso.

Bast era originalmente uma Iryt-Rá¹ e como sua filha, sua missão era defender Rá de qualquer perigo e destruir o Incriado, que era o oposto de Ma’at. Sendo um dos olhos de Rá, Ela personificava a ira e ódio de seu pai, obedecendo as suas ordens. Originalmente Bast era uma divindade relacionada a proteção do Faraó e a proteção de seu território e era intimamente ligada a fertilidade.

Hoje usamos o gato como forma de representação dela, mas em sua forma arcaica, Bast tinha cabeça de leão. Não apenas Sekhmet, Maahes e outros, Ela também era representada assim. Na verdade muitos Deuses Kemeticos eram representados de muitas formas diferentes.

Com o passar dos anos, sua representação mudou e ela começou a ser representada como um gato selvagem. O significado por trás das representações não mudaram, no entanto. O gato selvagem não era um animal doméstico, mas feroz e astuto, defendia os seus e caçava. Após 2.000 mil anos sua forma ficou mais branda e passou a ser representada como um gato doméstico. Na verdade, o gato era o animal que ela protegia e não a Deusa em si (no caso das estátuas em forma de gato).

Com a invasão dos Gregos, foi intimamente relacionada a Ártemis, divindade da caça e da lua, e passou a ter atributos lunares. Seu culto ficou extremamente conhecido e há menções de uma grande e conhecia festa em seu templo antigo em Bubasti, que era o seu maior templo.

Bast era uma divindade relacionada ao sol e ao poder protetor e defensivo dele. Ela era chamada de “Senhora do terror e Senhora da Carnificina” e por isso é nítido que embora ela seja benevolente, ela pode destruir de forma muito bruta.

As mudanças das dinastias foram acontecendo e ela passou a ser relacionada a muitas divindades, entre elas, uma das mais famosas Deusas Kemeticas: Hethert ou Hathor.

Bast ganhou então atributos ligados a música, dança e a sensualidade/sexo. A alegria sempre foi um de seus domínios, mas a música e o festejo foi introduzido muitas vezes em seu culto. Um de seus principais instrumentos de culto era o Sistro, espécie de chocalho, aonde era tocado músicas. O sistro também era originário do culto de Hethert e Aset. Bast também foi relacionada a Deusa serpente Wadjet e se tornou Bast-Wadjet, se referindo ao seu papel como protetora das terras de Kemet.

Hoje muitas pessoas acreditam que Bast é irmã de Sekhmet ou que as duas são a mesma Deusa, sendo Bast sua forma branda e Sekhmet sua forma furiosa. Essa visão não tem nenhuma comprovação história e é totalmente uma interpretação moderna e errônea sobre as duas. É verdade que Sekhmet foi relacionada a Bast, mas não em uma forma de parentesco. Como as duas eram também olhos de Rá havia, até onde eu sei, existe uma Sekhmet-Bast. Mas Deuses aspectados é para um outro post.

Protetora das crianças e das mulheres grávidas, Bast é a Deusa que traz a alegria e a vida. Ela é chamada constantemente de “Senhora da Vida e Senhora de Câmara de Nascimento”. Um dos epítetos que eu mais gosto atribuídos a ela é “Aquela que agrada Rá com seus dedos”. Fazendo alusão a sua forma relacionada a música, pois todos ficam encantados quando Bast toca. Isso também me lembra de um quadro antigo aonde Apollo é retratado aos pés de uma grande árvore tocando sua lira e muitos animais se reunindo de forma mansa aos seus pés, não muito diferente de Bast.

Para um introdução, acredito que isso basta. Até a outra semana!

Senebty 🙂

Semana 2 – Quando você descobriu a existência dessa deidade? O primeiro contato: Yinepu

Quando mais novo na Bruxaria eu descobri muitas divindades que me senti atraído. Desde criança eu sempre gostei de Rá, Heru-sa-Aset e Aset, mas nunca estendi um contato fixo. Passando os anos eu comecei a me interessar mais por alguns Deuses egípcios e se não me engano, Bast foi a primeira Deusa que eu tive contato de fato.

Quem nunca ouviu falar de Anúbis, né? Divindade conhecida até entre os que não entendem de mitologia ou religião Kemetica e ele aparece em muitos livros, hqs e filmes!

Eu conheci mais sobre Ele por uma Sacerdotisa consagrada de Anúbis em uma rede social que contava suas experiências com esse Deus e as coisas que ela viveu como sacerdotisa dele. Num belo dia eu resolvi ir meditar com ele e conhecer, porque eu gostei do que li e achei ele muito interessante. Lembro que no começo no meu contato Yinepu era muito quieto, muito na dele e não era muito de dialogar, mas com o tempo isso foi passando até hoje que cultuo ele de forma regular.

Foi basicamente isso, não tem muito o que dizer sobre um primeiro contato.

Senebty 🙂

O verdadeiro tarot

O tarot é o oráculo mais conhecido e utilizado por milhares de pessoas no mundo atual. Desde o tarocchi, até a estrutura tarologica que conhecemos hoje, nos nossos termos, a leitura das cartas para a predição do destino tem ganhado novos olhares e um maior reconhecimento, além da fama supersticiosa que ele carrega. Hoje novas visões para o tarot tem sido disseminado: o tarot por uma perspetiva arquetípica-junguiana, o tarot terapêutico, o tarot como forma de apenas prever o futuro e muitas outras. Mas nesse âmbito, o tarot continua a ser sempre o mesmo: lâminas de papel impressas.

Por estudo sabemos que ele se divide em duas partes: os arcanos maiores e arcanos menores. 56 cartas fazem os segredos menores e 22 os segredos maiores. Mas o tarot limita-se a apenas papel e cores?

Em um mundo aonde o tarot se torna cada vez mais supersticioso entre os meios céticos, aonde pessoas de má índole se voltam ao tarot como mecanismo de enganação e roubo de clientes, nos momentos aonde o tarot é apenas mais um joguinho de distração entre círculo de amigos, há aqueles que desejam beber do conhecimento do cálice tarologico e ler o livro da Alta Sacerdotisa. Para isso devemos nos voltar para as sábias palavras de Jodorowsky:

Na realidade, todo ser humano é um arcano

O que eu chamo de verdadeiro tarot é o voltar-se ao Louco, ao The Fool, ele mesmo, a carta zero do tarot, o jovem imaturo que não sabe o que espera a sua frente. Mas sua inocência é irmã de sua determinação e sem ela, ele não se torna o eterno viajante.

O voltar-se ao Louco é reiniciar uma jornada, de auto conhecimento, de despertar o tarot em si e prosseguir sem estipulação e falsas ideias e deixar com que as situações mostrem o mundo para você. Porque O Louco não sabe o que esperar, ele apenas quer aprender, apenas quer andar e prosseguir e sua inocência doce mostra sua imaturidade quanto as suas verdades, que em maior reflexão você nota que ela, não existe. Seu desejo é nobre, mas ele não tem conhecimento de que, para conseguir o que ele tanto deseja, ele deverá morrer e renascer subsequentemente.

Rider Waite Smith Tarot

Tarot é fácil de aprender, alguns livros, um pouco de assimilação do conteúdo adquirido e alguns momentos de prática: eis um conhecedor do tarot dando atendimento e guiando as pessoas pelo interpretar visual das cartas de seu baralho. Mas isso faz dele um verdadeiro tarologo? É dentro disso que se começa o problema atual com o tarot hoje. A arte tarologica é manchada por pessoas mesquinhas, de más intenções que o usam para alimentar sua ganância e seu ego inflado. É de pessoas assim, que ficamos relacionados, pessoas que roubam, mentem e enganam aquelas que precisam ser guiadas pelo Tarot de forma limpa e direta. A arte do louco é séria e profunda, devemos combater esse tipo de atitude. O tarot não precisa ficar mais mau falado do que ele já foi e ainda é. Devemos acima de tudo, compreender que o Tarot é uma arte séria que precisa de aprofundamento e respeito. O tarot não é brincadeira de distração entre o círculo de amigos e não deve ser encaro como tal.

O verdadeiro Tarot não é uma forma elitista de se referir a imensidão que ele É, mas uma forma de indicar que está é a forma que nos leva a entender o tarot em sua plenitude e ninguém pode discordar disso. Porque o verdadeiro tarot nada mais é do que viver.

Beba do cálice da Sacerdotisa e sinta: O tarot é toda a realidade pensada e concebível, ao homem ou não. O que é pensado, é tarot. Parafraseando o mestre Roberto Caldeira:

Tudo é tarot. Se eu colocar uma moldura em você, você é um arcano do tarot.

O verdadeiro tarot é portanto o vivenciar dele fora das cartas de papel, das lâminas de tinta que usamos para fazer as leituras. Olhando o tarot desta forma, é compreensível entender que o baralho de papel, físico, que você usa e coleciona de forma ávida, nada mais é que papel. Mas quando lidamos com o tarot de forma íntima, o deck se torna uma ferramenta de acesso ao poder e mistério do verdadeiro tarot. Nisso voltamos ao Louco com sua inocência e desapego do que achou que sabia, para aprender mais verdades. Que em maior reflexão, não existe porque quem faz a verdade é você. E é porque isso que digo que somos o eterno viajante, o eterno Louco. Porque quando tomamos consciência de que o tarot é vivo e que devemos viver para entende-lô, apenas continuamos, sendo ensinado pelo próprio tempo e pelas situações, que se você permitir, se torna a arte antiga do tarot.

A intuição é a chave de acesso ao nosso Eu divino-universal. Porque por ele, podemos acessar a ínfima sabedoria que temos e podemos desvendar o que o tarot nos diz. Ou melhor, podemos sentir e despertar o tarot em nós. Ficamos tão apegados ao significado das cartas de forma restrita, aos métodos de leitura, se podemos ler cartas invertidas ou não e muitas outras limitações e não vemos que o tarot é uma arte simples, que nada precisa disso, a não ser nossa vontade sincera de aprender e dedicação para.

Com esse texto, espero elucidar uma forma de sentir o tarot que não é comumente lembrada hoje, num mundo aonde o tarot é nada mais que uma forma robusca de prever o futuro. Mas o tarot é mais, ele sempre foi e sempre será. Se você entender a essência dessas palavras e meditar nelas, conseguirá fazer com que o tarot fale com você.

O Tarot é a arte do bem viver e para tanto não precisamos de manuais ou regras. Temos sim que seguir as orientações do nosso coração, de forma a assumirmos o controle do ser e do viver. Utilizar o Tarot é simples como a vida, não requer dom especial, muito menos aprendizado secreto e hermético; o Tarot é sobretudo evolução na ação e felicidade na sua mais pura concepção. Não sinto que seja necessário a descrição de métodos de jogos ou formulações especiais de leituras. Ao escutar a própria essência divina é impossível errar. O futuro não é para ser visto, e sim feito, por sua única vontade. – O caminho do Louco, por Roberto Caldeira.